15:48

AVALIAÇÃO DO PROJETO: ESCREVER, REESCREVER...

Este projeto foi aplicado nas sétimas séries da Escola Básica Aníbal Cesar, localizada no bairro São Vicente. Levantarei aqui algumas considerações sobre a prática, analisando todo o processo.

A respeito da variedade textual apresentada, alguns alunos desconheciam determinados gêneros e não identificavam como textos placas, sinais, desenhos, gravuras, lista telefônicas, contas, dentre outros.

Quanto ao cordel, foram apresentados alguns exemplos e destacadas as principais características e a sua aproximação com a oralidade. Os alunos acharam interessante a rima, o ritmo e o compararam com o “rap”.

Sobre a pesquisa solicitada, a princípio não demonstraram muito interesse pelas danças tradicionais e se interessaram mais quando descobriram as particularidades e origem desses ritmos.

A produção do cordel a partir da pesquisa foi um desafio, muitos resistiram em fazer e foi necessário insistir que fizessem ao menos uma tentativa, um rascunho que foi corrigido, em sala de aula. Foi necessário fazer algumas alterações, sugerir rimas, propor acréscimos. A maior dificuldade que encontraram foi encontrar rimas para apresentar a dança. As orientações quanto à estrutura desse tipo de texto foram dadas antes e durante a produção.

Devido à característica desse gênero, foram feitas várias reescritas até chegar ao produto final, mas apesar das dificuldades encontradas os alunos demonstraram bastante interesse.

O cordel foi ilustrado com desenhos feitos a mão e a exposição dos trabalhos foi feita no pátio interno da escola, pendurados em varais.
Para ilustrar toda a trajetória do projeto e visando incentivá-los, foi produzido o texto abaixo, que foi lido para os alunos.

O cordel entrou na dança


Tudo começou
Com uma ideia genial
Transformar em cordel
Danças típicas do folclore nacional
Começamos com pesquisa
Até aí tudo normal.

O que não imaginava
É que essa animação
Acabaria gerando
Uma pequena confusão
Para encontrar tanta rima
E divulgar a tradição.

Agradeço aos alunos da sétima
Que aceitaram o desafio
Setecentos e dois, setecentos e três
Travaram um combate fastio
Escrever, reescrever tantas vezes
Só faz isso quem é sadio.

De tanto corrigir e sugerir
Algumas correções e mudanças
Acabei me empolgando bastante
E também entrando na dança
De transcrever em versos
As curiosidades que tenho na lembrança

Falamos da dança gaúcha,
Fandango, ciranda, frevo, baião
Olodum, bumba-meu-boi, maracatu
Forró, samba-enredo, catira e boi-de-mamão
Festival de Parintins, samba de roda
Descobrimos que gafieira é um salão.

Queria deixar registrado
O resultado dessa conquista
Pois quando se está animado
Acabamos encontrando uma pista
Para encontrar as palavras
Mesmo que não estejam na lista.


Agora parece fácil
A turma ficou animada
Fazer um simples cordel
Exige perseverança e mais nada
A todos eu agradeço
Dizendo muito obrigado


Analisando todo o trabalho realizado, farei algumas considerações a respeito das dificuldades encontradas e alguns avanços observados.

O que mais me chamou a atenção foi a dificuldade que os alunos apresentaram em produzir um texto em versos, com ritmo e rimas. Apesar de terem recebido as orientações, alguns não conseguiram dispor os versos de modo a dar uma entonação adequada ao gênero e necessitaram de várias reescritas até chegar ao produto final. Ainda assim, alguns não conseguiram atingir o objetivo desejado sozinhos e precisaram de uma maior intervenção.

Toda essa problemática trouxe aspectos positivos para o desenvolvimento da escrita, pois aos serem desafiados, embora tenham resistido inicialmente, superaram suas deficiências, observando seus próprios erros.

O que pode ser enfatizado para um aprimoramento desse projeto é trabalhar mais o texto poético, destacando as suas particularidades e dando destaque aos mecanismos que dão ritmo a esse tipo de texto, já que, observa-se essa deficiência na produção dos alunos.

(Maria de Fátima Demartino)

0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts with Thumbnails