21:57

Pequenos grandes gestos

Não posso mudar o mundo, mas posso ser uma pessoa melhor no mundo. Que o ser humano nunca está pronto, isso não é novidade para ninguém. Mas por que será que resistimos tanto às mudanças?

Reclamamos da violência, clamamos por justiça, desejamos a paz... No entanto, não somos capazes sequer de perdoar um vizinho, um colega. Exigimos do outro o que não conseguimos fazer, pois esperamos que alguém sempre tome a iniciativa, quando na verdade nós poderíamos dar o primeiro passo. E isso não requer feitos extraordinários, basta apenas disposição.

Um olhar, uma palavra, um gesto, não importa o que se faz, mas como se faz. Não é o que vemos que conta, o que vale é como vemos. Será que estamos vendo?

É preciso muito mais que os olhos para ver o mundo! Muitas vezes nossos olhos estão vendados pela indiferença, embaçados pela ambição ou fechados pelo comodismo. Uma dose de sensibilidade não faz mal a ninguém!

Precisamos ficar mais atentos, perceber os detalhes que dão sentido a nossa vida. São pequenos grandes gestos que transformam a realidade.

(Maria de Fátima Demartino)

21:34

Precisa-se...

De pais presentes na vida dos filhos!

Sabemos que o mundo oferece e impõe situações as quais não escolhemos nem gostamos. Por que não reagimos?

A sociedade atual impõe necessidades que não precisamos e cada vez mais nos envolvemos pela onda... São os atrativos da modernidade que nos fazem querer ter tantas coisas, e que, muitas vezes, não nos fariam falta nenhuma. Mas, acabamos seduzidos pela propaganda e por isso temos que correr tanto... O problema é que estamos correndo para a morte e não para a vida.

Estamos matando pequenas coisas e pequenos gestos que demonstram nossa humanidade. Estamos agindo como robôs, mecanicamente, e esquecendo o filho e o irmão que está ao nosso lado, como na parábola do bom samaritano. Muitos filhos estão sendo assaltados, açoitados, agredidos pelo consumismo, pelo individualismo e nós passamos pela vida deles como o sacerdote e o levita, pois temos algo mais importante para fazer...

Cada vez mais os pais estão ficando distantes da vida dos seus filhos! Observamos isso pelo comportamento de muitas crianças, adolescentes e jovens. Essa carência afetiva reflete principalmente no ambiente escolar. Quantas dificuldades. Quanta inércia. Quanta violência. Onde está a motivação?

A criança é um ser em desenvolvimento que precisa de cuidados, de orientação, de limites, ela precisa saber que tem alguém com que possa contar. Nenhuma instituição, e muito menos a escola, vai conseguir suprir essa carência.

O adolescente também precisa sentir-se amado, orientado, embora demonstre o contrário por não querer ser tratado como uma criança. Mais do que nunca, precisam aprender a respeitar limites! E mais ainda, precisam ser incentivados a lutarem por seus sonhos... Mas o que será que estão sonhando? Penso que os prazeres e vantagens oferecidas a todo o momento e em doses excessivas estão empobrecendo também os seus sonhos...

Será que os filhos concordam com a vida corrida, agitada que seus pais levam? Será que eles concordam com as prioridades de sua família?

De onde vem tudo isso? Será que acontece por acaso, ou há interesses por trás disto?
Não sejamos ingênuos. Não podemos apenas assistir ao espetáculo da vida. Precisamos vivê-la! Os bons não podem calar enquanto os maus fazem tanto barulho.

Precisa-se... de boas notícias!
(Maria de Fátima Demartino)

15:48

AVALIAÇÃO DO PROJETO: ESCREVER, REESCREVER...

Este projeto foi aplicado nas sétimas séries da Escola Básica Aníbal Cesar, localizada no bairro São Vicente. Levantarei aqui algumas considerações sobre a prática, analisando todo o processo.

A respeito da variedade textual apresentada, alguns alunos desconheciam determinados gêneros e não identificavam como textos placas, sinais, desenhos, gravuras, lista telefônicas, contas, dentre outros.

Quanto ao cordel, foram apresentados alguns exemplos e destacadas as principais características e a sua aproximação com a oralidade. Os alunos acharam interessante a rima, o ritmo e o compararam com o “rap”.

Sobre a pesquisa solicitada, a princípio não demonstraram muito interesse pelas danças tradicionais e se interessaram mais quando descobriram as particularidades e origem desses ritmos.

A produção do cordel a partir da pesquisa foi um desafio, muitos resistiram em fazer e foi necessário insistir que fizessem ao menos uma tentativa, um rascunho que foi corrigido, em sala de aula. Foi necessário fazer algumas alterações, sugerir rimas, propor acréscimos. A maior dificuldade que encontraram foi encontrar rimas para apresentar a dança. As orientações quanto à estrutura desse tipo de texto foram dadas antes e durante a produção.

Devido à característica desse gênero, foram feitas várias reescritas até chegar ao produto final, mas apesar das dificuldades encontradas os alunos demonstraram bastante interesse.

O cordel foi ilustrado com desenhos feitos a mão e a exposição dos trabalhos foi feita no pátio interno da escola, pendurados em varais.
Para ilustrar toda a trajetória do projeto e visando incentivá-los, foi produzido o texto abaixo, que foi lido para os alunos.

O cordel entrou na dança


Tudo começou
Com uma ideia genial
Transformar em cordel
Danças típicas do folclore nacional
Começamos com pesquisa
Até aí tudo normal.

O que não imaginava
É que essa animação
Acabaria gerando
Uma pequena confusão
Para encontrar tanta rima
E divulgar a tradição.

Agradeço aos alunos da sétima
Que aceitaram o desafio
Setecentos e dois, setecentos e três
Travaram um combate fastio
Escrever, reescrever tantas vezes
Só faz isso quem é sadio.

De tanto corrigir e sugerir
Algumas correções e mudanças
Acabei me empolgando bastante
E também entrando na dança
De transcrever em versos
As curiosidades que tenho na lembrança

Falamos da dança gaúcha,
Fandango, ciranda, frevo, baião
Olodum, bumba-meu-boi, maracatu
Forró, samba-enredo, catira e boi-de-mamão
Festival de Parintins, samba de roda
Descobrimos que gafieira é um salão.

Queria deixar registrado
O resultado dessa conquista
Pois quando se está animado
Acabamos encontrando uma pista
Para encontrar as palavras
Mesmo que não estejam na lista.


Agora parece fácil
A turma ficou animada
Fazer um simples cordel
Exige perseverança e mais nada
A todos eu agradeço
Dizendo muito obrigado


Analisando todo o trabalho realizado, farei algumas considerações a respeito das dificuldades encontradas e alguns avanços observados.

O que mais me chamou a atenção foi a dificuldade que os alunos apresentaram em produzir um texto em versos, com ritmo e rimas. Apesar de terem recebido as orientações, alguns não conseguiram dispor os versos de modo a dar uma entonação adequada ao gênero e necessitaram de várias reescritas até chegar ao produto final. Ainda assim, alguns não conseguiram atingir o objetivo desejado sozinhos e precisaram de uma maior intervenção.

Toda essa problemática trouxe aspectos positivos para o desenvolvimento da escrita, pois aos serem desafiados, embora tenham resistido inicialmente, superaram suas deficiências, observando seus próprios erros.

O que pode ser enfatizado para um aprimoramento desse projeto é trabalhar mais o texto poético, destacando as suas particularidades e dando destaque aos mecanismos que dão ritmo a esse tipo de texto, já que, observa-se essa deficiência na produção dos alunos.

(Maria de Fátima Demartino)

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